terça-feira, 20 de outubro de 2026
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Violência política no 1º turno tem 134 casos e mulheres são 52% das vítimas

Levantamento de Terra de Direitos e Justiça Global registra um caso a cada nove horas entre 16 de agosto e 4 de outubro; nenhum teve punição.

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Violência política no 1º turno tem 134 casos e mulheres são 52% das vítimas
Congresso Nacional iluminado em homenagem ao Diploma Bertha Lutz (imagem ilustrativa, 2024). Foto: Agência Senado (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

A violência política no Brasil somou 134 casos durante a campanha do primeiro turno das eleições de 2026, segundo levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global divulgado nesta quinta-feira (8). Mulheres foram vítimas em 70 episódios, o equivalente a 52,2% do total, informou a Agência Brasil.

O período analisado vai de 16 de agosto a 4 de outubro, 50 dias. O número equivale a um caso a cada nove horas e supera os 121 registrados no primeiro turno de 2022. Fora do período eleitoral, a média é de uma ocorrência a cada 44 horas, ou seja, a frequência é cerca de cinco vezes maior na campanha.

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Entre os 134 casos, 102 tiveram candidatos como alvo exclusivo, e as mulheres foram atingidas em 60 deles (58,8%), embora representem cerca de um terço das candidaturas. As ameaças são o tipo mais comum, com 64 registros, seguidas por ofensas (33), agressões físicas (19) e atentados (11). Houve dois assassinatos, ambos na esfera municipal, e as vítimas eram homens.

Em relação às mulheres, o machismo ou a misoginia motivaram 45 dos 70 casos, o racismo, 9, e a transfobia, 5. Todas as sete ameaças de violência sexual tiveram mulheres como alvo. Pessoas negras representam 44,8% de todas as vítimas. Os estados com mais registros foram São Paulo (16), Rio Grande do Norte (13), Minas Gerais (12) e Rio Grande do Sul (10).

Em 26 episódios (19,4%), o autor identificado era agente público, entre eles ao menos 14 parlamentares ou governadores e sete agentes de segurança. Até o fim da coleta de dados, nenhum dos 134 casos havia resultado em punição. Pelo menos oito geraram medidas urgentes, como a remoção de vídeos, a suspensão de perfis e medidas protetivas.

Segundo Gisele Barbieri, coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, o levantamento conta sobretudo casos que se tornam públicos, e o número real tende a ser maior. "Existe essa subnotificação. Os casos muitas vezes não chegam à opinião pública por causa do medo", disse. Ela defende uma força-tarefa do Estado para dar respostas mais rápidas.

A divulgação ocorreu no mesmo dia em que a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) relatou ter recebido ameaças de morte e de violência sexual durante a campanha. A reportagem da Agência Brasil usou o caso como exemplo do cenário descrito pelas entidades.

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Fonte: Agência Brasil

Produzido pela Redação INFO NEWS com apoio de ferramentas de automação. Correções: contato@infonews.today

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