Trump libera diesel russo e anuncia trégua de energia entre Rússia e Ucrânia
Anúncio dos EUA prevê 300 mil toneladas em outubro; Kiev diz ter sabido da trégua pela imprensa e Moscou voltou a atacar usinas e gás.
Por Redação INFO NEWS · Atualizado em

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na semana passada que vai liberar a compra de diesel russo e que Rússia e Ucrânia teriam concordado em não atacar a infraestrutura de energia uma da outra. Segundo a Agência Brasil, que cita a agência Reuters, ataques russos a alvos ucranianos continuaram nesta segunda-feira (12), o que Kiev classificou como violação da trégua.
Pelas informações divulgadas por Trump e reproduzidas pela CNN Brasil, a Rússia venderia mais de 300 mil toneladas de diesel em outubro, 500 mil em novembro e 1 milhão de toneladas depois disso. O combustível poderia ser vendido tanto aos Estados Unidos quanto a outros países. A medida marca uma mudança na política americana: desde a invasão em larga escala da Ucrânia, os EUA mantinham sanções contra o setor de energia russo e, antes do anúncio, o governo Trump havia endurecido essas restrições.
O motivo é o preço dos combustíveis. De acordo com a análise do colunista da CNN Brasil Lourival Sant'Anna, o diesel nos Estados Unidos subiu de uma média de US$ 3,81 para US$ 6,53 desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro, e a gasolina passou de US$ 2,94 para US$ 4,36 por galão. A Agência Brasil informa que Trump enfrenta pressão da alta dos combustíveis antes das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, marcadas para 3 de novembro, quando estão em disputa toda a Câmara e um terço do Senado.
O volume anunciado é pequeno diante do tamanho do mercado. Sant'Anna lembra que o mundo consome cerca de 29 milhões de toneladas de diesel por dia, de modo que as quantidades previstas dificilmente alterariam os preços. Em entrevista à CNN Brasil, o professor Paulo Filho, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, chamou o acordo de irrisório do ponto de vista econômico e atribuiu a alta dos combustíveis principalmente às tensões no Estreito de Ormuz, ao conflito dos EUA com o Irã e à escalada no estreito de Bab el-Mandeb, envolvendo os houthis e a Arábia Saudita. Para ele, a guerra na Ucrânia contribui, mas não é a causa principal.
A trégua de energia, por sua vez, pegou Kiev e seus aliados europeus de surpresa. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse ter tomado conhecimento do acordo pela imprensa e afirmou que ele pode funcionar se os Estados Unidos garantirem que a Rússia o respeite. Zelensky declarou que a Ucrânia não atacou refinarias russas na madrugada de segunda-feira e que Moscou precisa parar de atingir o sistema energético ucraniano para que Kiev suspenda seus ataques.
Os ataques russos, no entanto, seguiram. Segundo a Reuters, ao menos três pessoas morreram em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, durante a madrugada, e pelo menos outras 22 ficaram feridas em ataques pela manhã que atingiram prédios residenciais, conforme autoridades municipais. No domingo (11), três mortes foram confirmadas em Ivano-Frankivsk, no oeste. Zelensky afirmou que um drone russo atingiu uma instalação de produção de gás à meia-noite e que vários drones atingiram um posto de combustíveis.
Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que as conversas sobre uma trégua de energia continuam e que mais informações serão divulgadas no momento oportuno. Ele rejeitou a proposta de Zelensky de um cessar-fogo total de 60 dias, em troca do qual o presidente ucraniano disse que eleições, suspensas durante a guerra, poderiam ser realizadas. Peskov afirmou que Vladimir Putin e outras autoridades já disseram repetidas vezes que a Rússia não quer um cessar-fogo, e sim uma paz duradoura.
O pano de fundo é a estratégia ucraniana dos últimos meses, que passou a mirar refinarias e centros logísticos de petróleo da Rússia em resposta a mais de quatro anos de ofensivas. Trump atribui a esses ataques parte da alta do diesel e disse no sábado (10) que Zelensky deve parar de atacá-las. Segundo a Agência Brasil, uma fonte afirmou que os EUA ameaçaram suspender o compartilhamento de inteligência e o fornecimento de armas à Ucrânia. Washington já não entrega armas diretamente, mas permite que países europeus as comprem em seu nome.
A análise de Sant'Anna é de que a liberação do diesel pressiona Kiev a interromper os ataques às refinarias, enquanto a Rússia mantém bombardeios intensos contra alvos civis ucranianos. Os aliados europeus da Ucrânia demonstraram ceticismo diante da trégua de energia e pediram que os EUA mantenham a pressão sobre Moscou. A União Europeia aprovou recentemente seu maior pacote de sanções desde a invasão de 2022, o que contrasta com o movimento de Washington.
Com informações de CNN Brasil.
Fonte: Agência Brasil
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