terça-feira, 20 de outubro de 2026
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São Paulo prevê zona de baixa emissão no centro até 2032, com piloto em 2028

Seminário da ABVE no centro reuniu Prefeitura e especialistas para discutir ônibus elétricos, recarga e micromobilidade na futura zona de baixa emissão.

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São Paulo prevê zona de baixa emissão no centro até 2032, com piloto em 2028
Ônibus elétrico da EMTU em circulação na capital paulista (foto de arquivo, 2015). Foto: Mariordo (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

A Prefeitura de São Paulo trabalha para criar uma Zona de Baixa Emissão (ZBE) no centro da capital até 2032, com projeto-piloto previsto para 2028, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O cronograma foi apresentado no seminário "Eletromobilidade e Zona de Baixa Emissão", realizado na Praça das Artes, no centro paulistano, em 8 de setembro de 2026.

A ZBE consta da Meta 24 do Plano de Ação Climática do município, o PlanClima, desde 2021. A assessora técnica da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (Seclima), Ludmila Amorim, afirmou que a ideia é que a zona evolua para uma Zona de Zero Emissão. Antes de definir o perímetro, a Prefeitura elabora um diagnóstico das emissões de gases de efeito estufa do centro, que vai indicar a área mais adequada.

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O evento foi realizado pela Associação Viva o Centro e pela Seclima, com apoio da ABVE e de outras entidades, e teve coordenação de Flamínio Fichmann, diretor de Mobilidade Urbana da ABVE. Segundo a associação, o objetivo foi reunir poder público, moradores, empresas e especialistas para discutir como a eletrificação pode apoiar a revitalização da região central.

O secretário municipal de Desenvolvimento e Trabalho, Rodrigo Goulart, defendeu a política ambiental da gestão do prefeito Ricardo Nunes. Ele citou que a cidade tem 1.759 ônibus elétricos em circulação e que cada veículo deixa de consumir 35 mil litros de diesel por ano e evita 106 toneladas anuais de dióxido de carbono. O secretário também mencionou que o PlanClima tem orçamento de R$ 28,8 bilhões, distribuído entre várias secretarias.

Para mostrar como a medida funciona na prática, Ludmila Amorim apresentou experiências de outras cidades. Em Londres, a cobrança de pedágio urbano no centro, que penaliza veículos a combustão, foi associada a uma queda de 27% nos poluentes atmosféricos da área central. Em Bogotá, o foco foi o material particulado fino, com recapeamento de vias não asfaltadas e arborização. Em Guadalajara, no México, a ZBE do centro histórico priorizou a segurança pública, com mais policiamento e incentivo a pedestres e ciclistas.

No painel sobre revitalização, Fichmann propôs uma mobilidade elétrica integrada para o centro, do transporte coletivo à logística. Pela proposta, ônibus elétricos atenderiam os terminais Bandeira, Parque Dom Pedro II, Amaral Gurgel e Princesa Isabel, além do futuro Terminal Luz, em linhas diametrais e noturnas. A expansão da frota de táxis e de aplicativos ficaria condicionada à infraestrutura de recarga em eixos de comércio e serviços e no entorno do novo Centro Administrativo Estadual.

A proposta inclui ainda veículos urbanos de carga, carros, motos e bicicletas elétricas integrados a rotas e modais, além da eletrificação progressiva das frotas municipais, estaduais e de prestadores de serviços urbanos. O resultado esperado, segundo a ABVE, é menos emissões, menos ruído e melhor qualidade do espaço urbano.

O diretor de Desenvolvimento Urbano da SP-Urbanismo, Guilherme Fatorelli, afirmou que a ZBE faz parte de um conjunto maior de projetos para o centro. Entre eles estão o Caminhos Verdes, que prevê arborização e requalificação de 118 quilômetros de vias, e o resgate dos bondes elétricos numa área de 12 quilômetros quadrados, com redução estimada de cerca de 11 mil veículos por dia e de 22 mil toneladas de CO2 por ano. Ele citou ainda a desativação do Minhocão em 2029 e incentivos habitacionais para mais 200 mil moradores no centro.

No painel de micromobilidade, o diretor técnico da ABVE e CEO da Riba Brasil, Carlos Roma, argumentou que as cidades crescem na vertical, mas o espaço viário continua praticamente o mesmo. Com mais moradores, comércio e entregas, a pressão sobre a logística urbana aumenta, e o comércio eletrônico eleva a expectativa por entregas rápidas. Para ele, não existe um veículo que resolva tudo: "O futuro não é um veículo vencer. É cada veículo ocupar o seu espaço vocacional".

Roma disse que as motocicletas ocupam menos espaço e mantêm o deslocamento em trânsito congestionado, e que a propulsão elétrica simplifica a mecânica e permite incorporar software, telemetria e conectividade. Segundo ele, isso possibilitaria monitorar comportamentos de risco em tempo real, com a meta de zero acidente com motos. Ele também citou a troca de bateria em estações, feita em menos de dois minutos, como parte de uma nova arquitetura de mobilidade.

Sobre os demais veículos leves, Roma afirmou que as bicicletas têm baixo peso, baixo consumo e custo, e que a assistência elétrica amplia as distâncias e ajuda em aclives. Os patinetes, por sua vez, são ágeis em trajetos curtos, mas têm limitações em buracos e desníveis por causa das rodas pequenas. O diretor também destacou a importância do motofretista para a cidade e para os pequenos negócios.

Para quem circula pelo centro, a ZBE ainda não tem área definida nem regras publicadas. O próximo passo é a conclusão do diagnóstico de emissões, que vai orientar o desenho da zona e o projeto-piloto previsto para 2028.

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Fonte: ABVE

Produzido pela Redação INFO NEWS com apoio de ferramentas de automação. Correções: contato@infonews.today

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