São Paulo admite ritmo menor de ônibus elétricos; Rio e BH avançam
Prefeitura paulistana cita limite da rede de energia nas garagens e mantém meta de 3.300 elétricos até 2028; Rio e Belo Horizonte dão passos.
Por Redação INFO NEWS · Atualizado em

A Prefeitura de São Paulo reconheceu uma redução temporária no ritmo de implantação de ônibus elétricos na capital, por causa de problemas na infraestrutura de recarga e na capacidade da rede de energia. O registro consta de uma reunião sobre políticas climáticas, publicada no Diário Oficial do Município em 14 de outubro de 2026, segundo o Diário do Transporte.
Segundo o balanço citado pela reportagem, a entrega de 250 ônibus elétricos em 30 de setembro elevou a frota elétrica municipal a 2.009 veículos, entre eles 189 trólebus. O sistema paulistano tem mais de 13 mil ônibus, e cerca de 15% já têm tração elétrica. A meta atual da gestão é chegar a 3.300 veículos elétricos até o fim do mandato, em 2028, o que exige mais 1.291 unidades a partir do número de setembro.
O diagnóstico apresentado na reunião aponta a garagem como o principal gargalo. Recarregar dezenas ou centenas de ônibus ao mesmo tempo pode exigir uma potência maior do que a disponível na rede de algumas regiões. A adaptação passa por carregadores, redes internas, transformadores e subestações, e os reforços externos ficam sob responsabilidade da distribuidora de energia. Há ainda a dificuldade operacional de conciliar a recarga com os horários de saída, manutenção e retorno dos coletivos definidos pela SPTrans.
A conta ajuda a dimensionar o atraso. A meta anterior previa 2.600 ônibus elétricos até dezembro de 2024, e a frota atual está 591 unidades abaixo desse número. O Programa de Metas 2025-2028 prevê 2.200 veículos de matriz energética limpa, independentemente da tecnologia. Entre janeiro de 2025 e setembro de 2026, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e a SPTrans entregaram 1.520 ônibus elétricos, segundo o jornal.
Em nota, a SPTrans e a prefeitura afirmaram que o período de ritmo mais lento foi superado e que a eletrificação segue conforme o planejado. A administração também citou o biometano como alternativa em estudo e instituiu o programa BioSP para sua implantação. A proposta de orçamento para 2027 prevê R$ 500 milhões relacionados ao biometano, além de recursos para eletrificação e gestão do sistema.
O prefeito Ricardo Nunes afirmou, em 30 de setembro, que a prefeitura adotaria medidas para garantir a continuidade da troca da frota, com proteção de pagamentos a fornecedores e a instituições financeiras. Ele já havia dito que os ônibus elétricos sairiam "praticamente de graça" para a cidade, ao considerar a economia com energia, manutenção e saúde pública. Nesse cenário, a fabricante Eletra projeta mais de mil ônibus elétricos adicionais em 2027, cerca de 600 até março ou abril e outros 400 em negociação.
Enquanto São Paulo ajusta o ritmo, outras capitais avançam em etapas diferentes. No Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Transportes publicou em 16 de outubro, no Diário Oficial, o aviso de uma audiência pública virtual marcada para 27 de outubro, às 11h. O encontro vai apresentar o modelo de concessão administrativa do Sistema Rio, a rede integrada de ônibus, que prevê serviço exclusivamente com ônibus elétricos a bateria.
O modelo do Rio inclui a construção e a gestão de garagem pública, a implantação da infraestrutura elétrica de recarga e o fornecimento e a operação da frota. A remuneração será vinculada a uma quantidade de quilômetros por mês, e o critério de julgamento será o menor valor de contraprestação paga pelo poder público. A audiência é uma etapa preparatória: não abre a licitação nem escolhe operadora, e o aviso não informa número de ônibus, linhas, prazo da concessão ou valores.
Em Belo Horizonte, a empresa Nansen vai fabricar em Betim, na região metropolitana, 27 carregadores para os 96 ônibus elétricos contratados pela prefeitura. O contrato é de cerca de R$ 5,5 milhões, com vigência de 18 meses e garantia de cinco anos. Cada equipamento terá 160 kW de potência inicial, ampliável até 240 kW, e dois conectores no padrão CCS2, o que permite recarregar dois ônibus ao mesmo tempo.
Os ônibus de Belo Horizonte são do modelo BRT misto, com tecnologia da Eletra, carroceria da Caio e plataforma da Mercedes-Benz. O contrato, de R$ 307,68 milhões, caiu de 100 para 96 veículos, sem mudar o preço médio de R$ 3,205 milhões por ônibus, porque os recursos disponíveis diminuíram com a atualização de valores, segundo a prefeitura. A autonomia declarada passa de 250 km, e a previsão é de entrega dos 10 primeiros veículos até dezembro de 2026 e dos demais até meados de 2027.
Para o passageiro, o efeito esperado é a renovação da frota e a redução de ruído e de poluentes, mas o prazo depende da infraestrutura de recarga e do fornecimento de energia nas garagens. Para as empresas e os fabricantes, o ponto central é a previsibilidade de encomendas e de financiamento. Os dados de frota e de contratos são os divulgados pelas prefeituras e reproduzidos pela reportagem, e as metas podem ser revistas conforme o andamento das obras.
Com informações de Onibus e Transporte.
Fonte: Diário do Transporte
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