Rede de recarga do Brasil chega a 29,8 mil pontos, alta de 77% em 12 meses
Levantamento da ABVE e da Tupi mostra que a recarga rápida em corrente contínua já responde por 38,2% dos pontos públicos e semipúblicos do país.
Por Redação INFO NEWS · Atualizado em

A rede brasileira de recarga de veículos elétricos chegou a 29.866 pontos públicos e semipúblicos em agosto de 2026, alta de 76,9% em 12 meses, segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) com a Tupi, divulgado no fim de setembro. Em agosto de 2025, eram 16.880 pontos.
O avanço é puxado pela recarga rápida, em corrente contínua (DC). Esses pontos saltaram de 3.855 para 11.397 em um ano, crescimento de 195,6%, e já representam 38,2% da rede. Em fevereiro de 2025, a fatia era de 16,4%; em fevereiro de 2026, de 30,6%. Os pontos em corrente alternada (AC), mais lentos, somam 18.469, alta de 41,8% no período.
No trimestre mais recente, a rede ganhou 4.437 pontos em relação a junho, quando havia 25.429, o que dá 17,4% de crescimento. Dos pontos acrescentados entre junho e setembro, 2.792 são de recarga rápida, ou 63% do total, contra 50,1% no trimestre anterior. Já os pontos AC somaram 1.641 novos no trimestre encerrado em agosto, mais que os 628 adicionados entre fevereiro e agosto de 2025.
A cobertura geográfica também aumentou. Segundo o levantamento, 1.911 municípios têm ao menos um ponto de recarga, contra 1.452 em agosto de 2025, alta de 31,6%. Desse total, 1.156 cidades contam com pelo menos um ponto DC, ante 1.021 em junho. A capital paulista lidera, com 3.101 pontos, seguida por Brasília (1.225), Rio de Janeiro (1.071), Curitiba (796) e Goiânia (531). Os números por município e por estado são provisórios, pois dependem da reconciliação de nomes e códigos municipais.
Entre os estados, São Paulo tem a maior rede, com 7.864 pontos, e foi o que mais acrescentou no trimestre: 910. Em seguida vêm Paraná (2.513), Rio Grande do Sul (2.422), Santa Catarina (2.333) e Minas Gerais (2.295). Entre os dez maiores estados, Pernambuco registrou a maior expansão proporcional, de 41,7%. O Sudeste concentra 42,4% da rede nacional.
Por região, o ritmo no semestre foi maior no Nordeste (18,4%), seguido por Centro-Oeste (15,6%), Norte (13,3%), Sul (10,7%) e Sudeste (10,4%). A recarga rápida pesa mais no Norte, onde responde por 58,1% dos pontos, e no Nordeste (49,6%). No Centro-Oeste, a fatia é de 45,9%, e no Sudeste, de 27,9%. No trimestre, o Nordeste cresceu 22,7% no total e 40,9% em recarga rápida.
A frota de veículos plug-in, que reúne os 100% elétricos (BEV) e os híbridos plug-in (PHEV), somou 639.133 unidades de 2022 a agosto de 2026, o equivalente a 21,4 veículos por ponto de recarga. Os BEV são 313.140 (49%) e os PHEV, 325.993 (51%). Como os elétricos puros dependem totalmente dos carregadores, a expansão da rede pesa mais para esse grupo.
O levantamento atribui o crescimento à queda contínua do custo dos equipamentos, à evolução tecnológica, ao ganho de escala dos operadores, à demanda por viagens de média e longa distância, à eletrificação de frotas corporativas e logísticas e à maior confiança do consumidor. Para o diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE, Davi Bertoncello, "quase 2 mil municípios brasileiros já têm onde carregar um carro elétrico".
Bertoncello afirma que a pergunta do consumidor deixou de ser se existe carregador no país e que o gargalo agora é anterior ao equipamento: o prazo e as condições de conexão de novas cargas à rede elétrica. Para o motorista, isso significa que a discussão se desloca da quantidade de pontos para a rapidez com que novos carregadores conseguem entrar em operação.
O ambiente regulatório também avançou neste ano. A Lei 18.403/2026, sancionada em São Paulo em 19 de fevereiro, garante o direito de instalar carregadores individuais em vagas privativas de condomínios residenciais e comerciais, exigindo apenas adequação técnica e de segurança. Desde o fim de fevereiro, uma diretriz dos Corpos de Bombeiros também fixa parâmetros uniformes de projeto e vistoria para pontos de recarga. A ABVE ressalva que os efeitos dessas normas não podem ser isolados nos dados da série.
A próxima etapa está na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A Consulta Pública 033/2026, aberta em 10 de setembro e válida até 9 de novembro, trata da modernização das regras de conexão de geração distribuída, armazenamento, veículos elétricos e cargas flexíveis. Segundo a ABVE, a associação apresentará contribuições ao texto, que pode definir como os novos carregadores serão conectados à rede nos próximos anos.
Fonte: ABVE
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