Recarga rápida cresce 195,6% em 12 meses no Brasil e chega a 11,4 mil pontos
Rede pública e semipública soma 29.866 pontos até agosto, alta de 76,9% em um ano; carregadores DC já são 38,2% do total, aponta a ABVE.
Por Redação INFO NEWS · Atualizado em

A recarga rápida em corrente contínua (DC) quase triplicou no Brasil em 12 meses e chegou a 11.397 pontos em agosto de 2026, alta de 195,6%, segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) com a plataforma Tupi, divulgado em 28 de setembro. Os carregadores rápidos já representam 38,2% da rede pública e semipública do país.
No total, o país tem 29.866 pontos de recarga, de acordo com o estudo. São 4.437 a mais do que em junho de 2026, quando eram 25.429, um avanço de 17,4% em um trimestre. Na comparação com agosto de 2025, quando havia 16.880 pontos, foram instalados 12.986 novos, crescimento de 76,9%.
O peso da recarga rápida cresceu de forma contínua. Em fevereiro de 2025, os carregadores DC respondiam por 16,4% da rede; em fevereiro de 2026, por 30,6%; agora, por 38,2%. Em agosto de 2025 eram 3.855 pontos desse tipo, e o aumento de 7.542 instalações em um ano explica quase todo o salto. O ritmo se manteve estável nos últimos dois trimestres analisados: 32,2% no encerrado em junho e 32,4% no seguinte.
A recarga lenta, em corrente alternada (AC), continua sendo a maioria, com 18.469 pontos, ou 61,8% do total. Ela também cresceu, 41,8% em 12 meses, mas em ritmo menor: de 13.025 para 18.469 pontos. Segundo o levantamento, o crescimento trimestral da rede AC desacelerou de 14,2% (de fevereiro a maio) para 9,8% (de maio a agosto).
A ABVE e a Tupi apontam alguns fatores para a expansão da recarga rápida: queda no custo dos equipamentos, evolução tecnológica, ganho de escala dos operadores, demanda por viagens de média e longa distância, eletrificação de frotas corporativas e de logística e maior confiança do consumidor. Para quem dirige um elétrico, a mudança significa mais opções para recarregar em poucos minutos durante viagens, e não apenas para carregar por horas em casa ou no trabalho.
A frota que depende dessa rede também cresce. De 2022 a agosto de 2026, foram emplacados 639.133 veículos plug-in no Brasil, o que dá cerca de 21,4 veículos por ponto de recarga. Desse total, 49% (313.140) são totalmente elétricos, que dependem dos carregadores, e 51% (325.993) são híbridos plug-in, que também usam motor a combustão.
A geografia da rede mostra expansão para além do eixo Sul-Sudeste. Segundo o estudo, 1.911 municípios já têm algum ponto de recarga, 31,6% a mais que em agosto de 2025 (1.452), e 1.156 contam com ao menos um carregador rápido, ante 1.021 em junho. O levantamento ressalva que a contagem de municípios é provisória e depende da reconciliação de nomes e códigos municipais.
Por região, o Nordeste teve a maior alta no semestre, de 18,4%, seguido por Centro-Oeste (15,6%), Norte (13,3%), Sul (10,7%) e Sudeste (10,4%). A participação da recarga rápida é maior no Norte, onde chega a 58,1% dos pontos, e no Nordeste (49,6%), contra 27,9% no Sudeste. Mesmo assim, o Sudeste concentra 42,4% de toda a rede.
São Paulo lidera entre os estados, com 7.864 pontos e 910 novos no trimestre, o maior volume absoluto. Em seguida aparecem Paraná (2.513), Rio Grande do Sul (2.422), Santa Catarina (2.333) e Minas Gerais (2.295). Pernambuco teve a maior alta proporcional entre os dez maiores estados, de 41,7%. Entre as cidades, a capital paulista tem 3.101 pontos, seguida por Brasília (1.225), Rio de Janeiro (1.071), Curitiba (796) e Goiânia (531).
Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE, afirmou que quase 2 mil municípios já têm onde carregar e que mais de mil têm carga rápida. Para ele, o gargalo atual está na conexão de novas cargas à rede elétrica, e não no equipamento: "O gargalo agora é anterior ao carregador."
O estudo também lista mudanças recentes nas regras. Em São Paulo, a Lei 18.403/2026, sancionada em 19 de fevereiro, garante o direito de instalar carregadores individuais em vagas privativas de condomínios residenciais e comerciais, exigindo apenas adequação técnica e de segurança. Desde o fim de fevereiro, uma diretriz nacional dos Corpos de Bombeiros uniformiza os parâmetros de projeto e de vistoria de pontos de recarga.
Há ainda a Consulta Pública 033/2026 da Aneel, aberta em 10 de setembro e válida até 9 de novembro, que trata da modernização das regras de conexão de geração distribuída, armazenamento, veículos elétricos e cargas flexíveis. A ABVE informou que enviará contribuições. Os dados completos do levantamento estão disponíveis no painel da associação.
Fonte: ABVE
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