Premiê da Albânia rejeita renunciar após 3 dias de protestos em Tirana
Edi Rama diz que sair do cargo seria trair os eleitores; estudantes protestam contra custo do ensino, corrupção e resort ligado a Kushner.
Por Redação INFO NEWS · Atualizado em

O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, rejeitou nesta quinta-feira (15) os pedidos de renúncia feitos por manifestantes em Tirana, a capital do país. Segundo a CNN Brasil, que reproduz reportagem da agência Reuters, os protestos, liderados por estudantes, chegaram ao terceiro dia com confrontos entre a multidão e a tropa de choque.
De acordo com a reportagem, milhares de manifestantes, em sua maioria estudantes, quebraram vidraças e entraram em choque com a polícia no centro da cidade. Os policiais usaram canhões de água e gás lacrimogêneo. Parte dos manifestantes atirou pedras contra os agentes, e muitos usavam máscaras. A Reuters relatou ainda que policiais atingiram com cassetetes pessoas que fugiam na Praça Skanderbeg, diante de turistas.
As ruas da região central ficaram marcadas pelos danos: lixeiras queimadas, pontos de ônibus destruídos e semáforos quebrados. O Parlamento cancelou a sessão que estava marcada para esta quinta-feira, depois que a violência recomeçou perto do prédio. A CNN Brasil também cita reportagens relacionadas sobre estudantes que atiraram tijolos e atearam fogo ao Ministério da Educação, mas os detalhes desses episódios não constam no texto principal.
Em declaração por escrito à Reuters, Rama afirmou que sua responsabilidade é ouvir, tratar das preocupações legítimas e manter a Albânia avançando. Segundo ele, deixar o cargo seria uma traição aos eleitores que lhe deram um mandato forte para concluir as negociações de adesão à União Europeia. O premiê foi eleito para um quarto mandato no ano passado, com a entrada no bloco europeu como uma das principais promessas de campanha.
O primeiro-ministro disse estar disposto a discutir o aumento dos custos da educação, mas condenou os ataques a instituições e ao patrimônio público. Ele afirmou que "algumas forças, dentro e fora do país" podem não querer que a Albânia tenha sucesso como pioneira no processo de adesão, e que não permitirá que a violência desvie o país de seu futuro europeu. Rama acrescentou que a corrupção precisa ser enfrentada e que a própria União Europeia reconhece que a Albânia a combate "como nunca antes".
As reivindicações dos estudantes vão além da educação. Os manifestantes citam o custo e a qualidade do ensino, supostas irregularidades e casos de corrupção, acusações que o governo nega. Uma estudante, identificada pela Reuters apenas pelo primeiro nome, Kiara, disse que o custo de vida, a escassez de oportunidades de trabalho e a corrupção estão entre as principais queixas. Segundo ela, só é possível trabalhar na própria área de formação quem conhece alguém que conhece alguém.
Outro motivo de insatisfação é um acordo para vender trechos do litoral sul do país, conhecido pelas paisagens preservadas, a um empreendimento de luxo. O projeto de resort tem o apoio de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante o verão, houve meses de protestos majoritariamente pacíficos contra a iniciativa, e os manifestantes afirmam que ninguém os ouviu.
A missão da União Europeia na Albânia publicou na rede social X que o diálogo construtivo é o único caminho a seguir. O pronunciamento é relevante porque a Albânia está entre os países mais adiantados dos Bálcãs no processo de adesão ao bloco, ao lado de Montenegro, e tem como meta ingressar na União Europeia até 2028.
Analistas ouvidos pela Reuters apontam que escândalos políticos e grupos criminosos que lavam dinheiro do tráfico de drogas e de armas prejudicaram a imagem do país e complicaram a candidatura. Os protestos atuais representam o maior desafio até agora à liderança de Rama, segundo a agência.
A reportagem relaciona a mobilização na Albânia a uma onda mais ampla de protestos estudantis na Europa. Na França, estudantes do ensino médio fazem há semanas manifestações e bloqueios de escolas, em que pedem mais professores e melhores instalações, citando prédios deteriorados e salas superlotadas. Em Tirana, o próximo passo depende de o governo abrir o diálogo prometido por Rama e de os protestos perderem ou não força nos próximos dias.
Com informações de Reuters.
Fonte: CNN Brasil
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