PF combate caça ilegal no Parque Nacional do Iguaçu e prende PM em flagrante
Mandado cumprido em Francisco Beltrão (PR) apreendeu armas, munições, carne de caça e palmito; grupo usava iscas, barcos e fases da lua, diz a PF.
Por Redação INFO NEWS · Atualizado em

A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta terça-feira (6) um mandado de busca e apreensão contra um grupo suspeito de caçar animais silvestres dentro do Parque Nacional do Iguaçu, no oeste do Paraná. A ação ocorreu em Francisco Beltrão (PR) e terminou com a prisão em flagrante de um policial militar, segundo informou a própria corporação.
O mandado foi expedido pela 5ª Vara Federal de Foz do Iguaçu. Além da PF, participaram da operação o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela gestão das unidades de conservação federais, e a Corregedoria da Polícia Militar do Paraná. A presença da Corregedoria se explica pelo fato de haver um integrante da corporação entre os alvos.
Durante a busca, os agentes apreenderam armas de fogo, munições, carne de animais abatidos ilegalmente e palmito extraído sem autorização. Entre as armas, uma tinha a numeração raspada, o que é tratado pela legislação como crime à parte. A PF não divulgou o nome do preso nem informou quantas armas foram recolhidas ou de que espécies era a carne encontrada.
O que a investigação apurou
De acordo com a Polícia Federal, a apuração indica que o grupo atuava na caça dentro do parque de forma organizada. Entre as práticas identificadas estão a colocação de iscas para atrair os animais, o uso de barcos para atravessar rios e a escolha dos dias das incursões conforme as fases da lua, o que ajuda a reduzir a visibilidade e a evitar a fiscalização.
O caso é investigado como associação criminosa, caça ilegal de animais silvestres em unidade de conservação e porte de arma de fogo com numeração suprimida ou adulterada. Como o inquérito segue em andamento, os envolvidos não foram condenados, e novos desdobramentos dependem das análises do material apreendido e dos depoimentos que ainda serão colhidos.
Por que o parque é alvo frequente
O Parque Nacional do Iguaçu fica na fronteira entre Brasil e Argentina e abriga as Cataratas do Iguaçu. A unidade é reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial Natural e protege um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do país. É nesse tipo de área que a caça é proibida: a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) trata como crime matar, perseguir ou capturar animais silvestres sem autorização, e a pena é mais severa quando o fato ocorre em unidade de conservação.
A extensão da floresta e a proximidade com rios e com a fronteira tornam a fiscalização difícil. Por isso, as operações costumam combinar inteligência policial, apoio do ICMBio e, em alguns casos, cooperação entre os dois países.
Não é a primeira ação recente na região. Em 6 de agosto, a PF deflagrou a Operação Duas Margens, em Foz do Iguaçu, contra um grupo formado por brasileiros e argentinos suspeito de caçar com frequência e de capturar espécies ameaçadas em áreas protegidas dos dois lados da fronteira. Segundo a corporação, aquela investigação começou em setembro de 2025, depois que argentinos foram flagrados pescando de forma ilegal no parque, à noite, com embarcações clandestinas e equipamentos proibidos.
Naquela ocasião, foram cumpridos cinco mandados, quatro em Chapecó e um em Guatambu, ambos em Santa Catarina. Uma pessoa foi presa por porte ilegal de arma, e três armas, munições e celulares foram apreendidos. A PF informou ainda que o grupo mantinha acampamentos escondidos na mata e contava com uma rede de olheiros e informantes. A corporação não afirmou, nas notas divulgadas, que as duas investigações tenham ligação entre si.
O que muda para quem frequenta a região
Para moradores e visitantes, a operação não altera o funcionamento do parque nem o acesso às Cataratas. O efeito é indireto: a retirada de armas de circulação e o desmonte de grupos que caçam ou extraem palmito ajudam a reduzir a pressão sobre a fauna e a flora da unidade. A extração ilegal de palmito, aliás, compromete a regeneração da floresta e é apontada há anos como problema em áreas de Mata Atlântica.
A PF pede que quem tiver informações sobre caça, pesca ou extração ilegal na região entre em contato pelo telefone (45) 98821-4326 ou pelo e-mail denuncias.fig.pr@pf.gov.br. A identidade de quem denuncia é preservada.
Com informações de ICMBio.
Fonte: Polícia Federal
Produzido pela Redação INFO NEWS com apoio de ferramentas de automação. Correções: contato@infonews.today



