Ônibus elétricos: 1.033 emplacados em 2026, e Recife homologa compra de 100
Registros do segmento crescem 86% de janeiro a setembro, apesar da queda em setembro; Grande Recife fecha licitação de R$ 291 milhões com carregadores
Por Redação INFO NEWS · Atualizado em

O mercado brasileiro de ônibus elétricos soma 1.033 unidades emplacadas de janeiro a setembro de 2026, segundo dados da Fenabrave divulgados pelo Diário do Transporte em 5 de outubro. O número é 86,46% maior que o do mesmo período de 2025, quando foram registrados 554 veículos.
O mês de setembro, porém, destoou do acumulado. Foram 101 ônibus elétricos emplacados, queda de 60,24% sobre setembro de 2025, que teve 254 unidades. A oscilação mostra como o segmento depende de lotes grandes entregues de uma só vez a operadoras e prefeituras, o que faz os números mensais variarem bastante.
No ranking de setembro, a Caio Induscar-Eletra liderou com 59 unidades, ou 58,42% do segmento. A BYD ficou em segundo, com 24 (23,76%), seguida pela Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 10 (9,90%), e pela Mercedes-Benz, com 8 (7,92%).
No acumulado do ano, a disputa é mais apertada. A Caio Induscar-Eletra tem 334 emplacamentos (32,33% do total) e a BYD aparece logo atrás, com 325 (31,46%). Completam a lista a Mercedes-Benz, com 199 (19,26%), a chinesa CRRC, com 91 (8,81%), e a Volkswagen, com 52 (5,03%).
O segmento elétrico continua pequeno dentro do mercado geral de ônibus. Em setembro, foram emplacados 2.744 ônibus de todos os tipos, alta de 12,09% sobre um ano antes, com a Mercedes-Benz na liderança, com 45,34% das vendas, e a Volkswagen em segundo, com 23,91%.
Recife fecha compra de 100 ônibus
Um dos exemplos de como as prefeituras e os governos estaduais movimentam esse mercado veio em 6 de outubro. Segundo o Diário do Transporte, a Grande Recife (PE) homologou o resultado da licitação para a compra de 100 ônibus elétricos e 50 carregadores, em um total de R$ 291,2 milhões. Desse valor, R$ 284,9 milhões se destinam aos veículos e R$ 6,3 milhões à infraestrutura de recarga.
A divisão dos contratos ficou assim: a Caio Induscar fornecerá 40 ônibus, por R$ 115,7 milhões, nos lotes 1 e 4. A Marcopolo entregará 60, por R$ 169,2 milhões, nos lotes 2, 3 e 5. O resultado ficou R$ 18,8 milhões abaixo da estimativa inicial de R$ 310 milhões, economia de 6,06%. Nos carregadores, a redução sobre o valor previsto foi de 47,5%.
O edital pede ônibus de 12 a 13 metros, com autonomia mínima de 250 quilômetros, medida pela metodologia SORT, da União Internacional de Transportes Públicos (UITP). Os veículos terão ar-condicionado, acessibilidade, três portas e entradas USB. A garantia é de cinco anos para o veículo e de dez anos para a bateria.
Os 50 carregadores serão de corrente contínua, de recarga rápida, com potência mínima de 240 kW. Cada um poderá atender dois veículos ao mesmo tempo. Pelo cronograma, cada lote entrega 10 ônibus em até 180 dias após a ordem de fornecimento e outros 10 em até 270 dias.
A compra faz parte dos acordos firmados em dezembro de 2025 entre os governos federal e estadual para reestruturar o metrô metropolitano e modernizar a frota de ônibus, que envolvem R$ 4 bilhões em investimentos, de acordo com a publicação.
São Paulo chega a 2 mil elétricos
A capital paulista segue como o principal mercado. Em 30 de setembro, a cidade chegou a 2.009 ônibus elétricos em operação. Naquele dia foram apresentados 250 veículos, dos quais 94 eram da Eletra: 18 padrão, 48 superarticulados, 27 básicos e um articulado. Segundo o Diário do Transporte, o ônibus de número 2 mil foi um superarticulado da Eletra, operado pela Via Sudeste.
No primeiro semestre de 2026, a combinação Eletra/Caio respondeu por 38% dos 589 ônibus elétricos emplacados no país, e São Paulo concentrou 72,8% dos registros nacionais, de acordo com a mesma reportagem. A presidente da Eletra, Milena Braga Romano, atribui o desempenho ao índice de 93% de componentes nacionais e à engenharia adaptada às condições brasileiras.
A empresa prevê entregar mais de mil ônibus elétricos em 2027, sendo cerca de 600 até março ou abril e mais 400 até agosto ou setembro, com a expectativa de 500 novos pedidos até dezembro. A fábrica de São Bernardo do Campo (SP) tem capacidade para produzir até 1.800 ônibus elétricos por ano, com investimentos superiores a R$ 270 milhões. Essas projeções são da fabricante e dependem de pedidos futuros.
O que muda para o passageiro
Com a entrada de novas frotas, como a de Recife, o passageiro tende a encontrar ônibus com ar-condicionado, acessibilidade e menos ruído nos corredores onde os veículos forem colocados. Para as cidades, a recarga rápida em garagens e terminais é uma condição para que os ônibus rodem sem interrupções, e é por isso que os contratos incluem os carregadores junto com os veículos.
Os números de setembro indicam que o ritmo de emplacamentos depende do calendário de entregas das grandes compras públicas. Os prazos de 180 e 270 dias previstos no contrato de Recife apontam que os primeiros veículos da capital pernambucana devem chegar apenas em 2027, contados a partir da emissão das ordens de fornecimento.
Fonte: Diário do Transporte
Produzido pela Redação INFO NEWS com apoio de ferramentas de automação. Correções: contato@infonews.today



