terça-feira, 20 de outubro de 2026
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Manaus suspende aulas pelo 6º dia com fumaça e focos de fogo sobem 271%

Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro, contra 372 em 2025; 36 cidades estão em situação de emergência.

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Manaus suspende aulas pelo 6º dia com fumaça e focos de fogo sobem 271%
Fumaça de queimadas perto de Manaus, em imagem de satélite de arquivo (2023). Foto: NASA Earth Observatory/Lauren Dauphin (domínio público), via Wikimedia Commons

A Prefeitura de Manaus manteve nesta terça-feira (13) a suspensão das atividades escolares da rede municipal porque a qualidade do ar na capital do Amazonas permanece classificada como péssima pelo sexto dia seguido. A medida é preventiva e busca reduzir a exposição de alunos e profissionais à fumaça das queimadas, segundo a CNN Brasil.

Em nota, a prefeitura informou que acompanha as condições atmosféricas e orienta os profissionais da rede. A reportagem não traz a data prevista para a volta às aulas. Segundo o Selva, que monitora o ar na região, a qualidade também piorou em Autazes e Itacoatiara, na região metropolitana, em Urucurituba e Maués, no interior, e em Itapiranga, no Médio Amazonas.

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O tamanho do problema aparece nos números do Painel do Fogo, do Censipam, órgão do Ministério da Defesa. Entre 1º e 10 de outubro, o Amazonas somou 1.380 focos de incêndio, contra 372 no mesmo período de 2025, uma alta de 271%. Do total deste ano, 1.186 focos estavam em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em áreas sem definição. Outros 174 foram classificados como ligados ao desmatamento.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) contabilizou 3.726 focos no estado em setembro, ante 942 em setembro do ano passado. Na análise publicada pela CNN Brasil, o autor lembra que o número ainda fica abaixo dos 6.879 de setembro de 2024 e que Inpe e Censipam usam metodologias diferentes, de modo que as contagens não devem ser somadas. As áreas mais afetadas incluem o sul do estado, em Apuí e Lábrea, e o centro-leste, em Autazes e Itacoatiara.

O governo federal reconheceu situação de emergência em 36 municípios do Amazonas. No combate direto ao fogo, a Força Aérea Brasileira fez na segunda-feira (12) a primeira missão com aeronaves no estado. Estão previstas cerca de três saídas por dia, de duas horas cada, com aproximadamente 12 mil litros de água por voo. Além de duas aeronaves da FAB, foram mobilizados quatro aviões Air Tractor e dois helicópteros. O estado conta ainda com 290 brigadistas federais.

São Paulo também enviou ajuda. Uma força-tarefa do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil paulistas começou a remeter material no domingo (11) a partir do aeroporto de Viracopos, em Campinas. O grupo reúne 25 bombeiros especializados e cinco profissionais da Defesa Civil, com 11 mil litros de retardante de fogo, quatro cisternas que somam até 24 mil litros de água e dois drones para monitorar áreas de difícil acesso. O tenente Ramatuel Diego Dantas, da Defesa Civil de São Paulo, afirmou que o retardante é "cinco vezes mais efetivo do que a água". Segundo ele, o produto reforça o efeito da água e evita que a vegetação volte a pegar fogo depois que as chamas são controladas.

O governo do Amazonas, por sua vez, proibiu o uso do fogo por 120 dias em todo o estado, com as exceções previstas em lei, por meio do Decreto Estadual nº 55.339. Outro decreto, o de nº 55.338, instituiu o plano estadual de prevenção ao desmatamento e às queimadas.

O cenário preocupa também pelo que vem pela frente. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), citada na análise, a anomalia média da temperatura do oceano na região Niño 3.4 deve chegar a 3,7 °C entre outubro e dezembro, acima do recorde anterior de 2,6 °C, com pico previsto para dezembro e probabilidade próxima de 100% de persistência até fevereiro de 2027. O autor ressalta que se trata de temperatura do oceano, e não de aquecimento do ar na Amazônia, e que um El Niño forte costuma trazer tempo mais quente e seco a partes da floresta, mas não a toda a região. Vegetação mais seca facilita a propagação de fogo iniciado por ação humana.

A preocupação vai além da fumaça local. A floresta devolve vapor de água à atmosfera e, somado à umidade do Atlântico, ele alimenta os chamados rios voadores, que levam chuva ao Centro-Oeste, ao Sudeste e ao Sul do Brasil e à bacia do Prata. Um artigo de 2026 na revista Nature Geoscience concluiu que fogo e desmatamento reduzem a evapotranspiração, e que, combinados à seca, os prejuízos de umidade se intensificam e se prolongam.

Outro estudo, publicado em janeiro de 2026 na Nature Communications por Jiangpeng Cui e coautores, analisou o período de 1980 a 2019 e apontou queda de 8% a 11% na chuva anual no sul da bacia amazônica. Os pesquisadores atribuíram de 52% a 72% dessa redução principalmente ao desmatamento de longo prazo, e não aos incêndios de outubro. Ainda não é possível calcular quanto os fogos atuais podem reduzir a chuva fora da Amazônia.

A continuidade da perda dessa reciclagem de água pode ampliar riscos para a agricultura, o abastecimento de água e a geração hidrelétrica. Segundo a análise, o risco não é o vento deixar de existir, mas passar a carregar cada vez menos umidade e chuva. Por ora, o próximo passo em Manaus depende da qualidade do ar: a prefeitura diz que continuará monitorando as condições antes de decidir sobre o retorno das aulas.

Com informações de CNN Brasil (reportagens sobre o envio de bombeiros paulistas e a análise sobre fogo e El Niño).

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Fonte: CNN Brasil

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