Juros altos são a maior barreira ao crédito para 76% das indústrias, diz CNI
Sondagem com 1.701 empresas mostra que 24,7% das que buscaram crédito de curto e médio prazo não conseguiram o dinheiro, ante 20% em 2025.
Por Redação INFO NEWS · Atualizado em

Os juros elevados são o principal obstáculo ao crédito para a indústria brasileira, segundo a Sondagem Especial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada em 9 de outubro de 2026 e noticiada pela Agência Brasil. Para 76% das empresas, o problema pesa nos empréstimos de curto e médio prazo; nos de longo prazo, o índice é de 69%.
A pesquisa ouviu 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto, sendo 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes, e avaliou o período de fevereiro a julho de 2026. Em 2025, os juros foram citados por 80% das empresas no curto e médio prazo e por 71% no longo prazo.
A taxa de frustração, que mede quem buscou crédito e não obteve, subiu. No curto e médio prazo, foi de 24,7%, ante 20% em 2025. No longo prazo, chegou a 37,2%, contra 33% um ano antes. Entre as empresas que buscaram crédito de longo prazo, não conseguiram o dinheiro 48,2% das pequenas, 48,1% das médias e 29,9% das grandes.
Depois dos juros, aparecem a exigência de garantias reais (33,4% no curto e médio prazo e 31,5% no longo) e a burocracia (13,6% no curto e médio prazo). No longo prazo, 18,9% consideraram a carência insuficiente. Quase metade das indústrias (49,9%) não tentou contratar ou renovar crédito de curto e médio prazo, e 54% não buscaram o de longo prazo.
O capital de giro, usado para pagar o dia a dia da operação, foi a principal finalidade: quase 60% no curto e médio prazo e 28,7% no longo, à frente de máquinas e equipamentos (23,6%). Para o leitor, o custo do crédito às empresas tende a influenciar investimentos, contratações e preços de produtos.
Como saída, as empresas pedem redução de custos tributários e administrativos (38,4% no curto e médio prazo e 31,2% no longo), mais linhas públicas de crédito e simplificação das exigências dos bancos. A analista da CNI Maria Virgínia Colusso afirmou em nota: "A queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas".
Fonte: Agência Brasil
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