terça-feira, 20 de outubro de 2026
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IPCA de setembro sobe 0,82% e chega a 4,58% em 12 meses, diz o IBGE

Conta de luz, tomate e passagens aéreas pressionam o índice, que supera o teto da meta de 4,5% e a projeção de 0,60% do mercado no mês.

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IPCA de setembro sobe 0,82% e chega a 4,58% em 12 meses, diz o IBGE
Tomates à venda (imagem ilustrativa, foto de arquivo). Foto: Federico López Barrachina (CC BY 3.0), via Wikimedia Commons

O IPCA, a inflação oficial do país, subiu 0,82% em setembro de 2026, segundo o IBGE divulgado na sexta-feira (9). É o maior resultado mensal desde março, quando o índice chegou a 0,88%, e ficou acima dos 0,60% esperados pelo mercado no Boletim Focus de 5 de outubro, informou a Agência Brasil.

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses passou de 4,22%, em agosto, para 4,58%. O número está acima do teto da meta, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%. A última vez que o acumulado em 12 meses superou o limite foi em junho, quando marcou 4,64%.

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A aceleração tem relação direta com agosto, mês em que o índice havia registrado deflação de 0,32%. Por isso, parte da alta de setembro é uma volta ao patamar anterior, e não apenas o surgimento de novas pressões. O principal exemplo é a energia elétrica, que influenciou o grupo de maior impacto no mês.

O grupo habitação subiu 2,31% e contribuiu com 0,35 ponto percentual para o índice geral. Dentro dele, a conta de luz avançou 7,98%, com impacto de 0,32 ponto percentual, depois de ter recuado 7,63% em agosto. O motivo principal foi o fim do Bônus de Itaipu, um desconto aplicado às contas de agosto, que vem do saldo positivo da conta de comercialização da usina. Sem o desconto, a tarifa cheia de setembro foi comparada com a de agosto, mais baixa. Houve ainda reajuste contratual em Belém, São Luís e Vitória.

O economista Roberto Luis Troster, da Fipe, avaliou que se trata de um "efeito pontual, com influência limitada sobre o próximo mês". Para outubro, a bandeira tarifária será verde, sem cobrança adicional na conta, depois de cinco meses com outras bandeiras.

Os alimentos também voltaram a pesar. O grupo alimentação e bebidas subiu 0,83% e respondeu por 0,18 ponto percentual do índice, interrompendo três meses seguidos de queda. A alimentação no domicílio avançou 0,96%. Entre as maiores altas estão o tomate, com 37,76%, a batata-inglesa, com 24,07%, a cebola, com 10,14%, e o arroz, com 4,56%. As carnes subiram 0,63%. Em sentido contrário, o frango inteiro caiu 1,96%, o frango em pedaços recuou 1,41% e as frutas ficaram 1,12% mais baratas.

Segundo o analista do IBGE Fernando Gonçalves, a alta dos alimentos se deve à oferta menor, por causa do clima mais frio e chuvoso. "Com mais frio, o tomate demora mais a amadurecer", explicou. Ele disse que ainda não é possível afirmar que o movimento seja efeito do El Niño, fenômeno que a ONU prevê que se intensifique até dezembro.

O grupo transportes teve alta de 0,89%, com 0,18 ponto percentual de impacto. As passagens aéreas subiram 9,66%, e os combustíveis, 1,41%. Dentro dos combustíveis, a gasolina avançou 1,21%, o etanol, 3,16%, o óleo diesel, 1,69%, e o gás veicular, 0,10%. Esses números se referem a setembro, antes da decisão do governo de zerar os tributos federais da gasolina por 30 dias, a partir de 9 de outubro, medida que ainda não aparece no índice.

Os demais grupos tiveram variações menores: vestuário subiu 0,71%, comunicação 0,64%, artigos de residência 0,27%, despesas pessoais 0,26%, saúde e cuidados pessoais 0,08% e educação 0,04%.

O IBGE também mostrou que a alta de preços foi relativamente espalhada. O índice de difusão, que mede a parcela de itens com aumento, foi de 55% entre os 377 produtos e serviços pesquisados, ante 54% em agosto. Os serviços subiram 0,61% no mês e 5,98% em 12 meses, enquanto os preços monitorados, que incluem combustíveis, avançaram 1,59% em setembro e 4,13% em 12 meses.

O que isso significa para o leitor: o supermercado e a conta de luz ficaram mais pesados em setembro, e as passagens aéreas encareceram de forma expressiva. Parte desse movimento, como o fim do desconto de Itaipu, não deve se repetir em outubro, mas os alimentos seguem como ponto de atenção.

O IPCA mede a variação de preços para famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, em 16 áreas pesquisadas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. A projeção do mercado para o IPCA de 2026 está em 5,01%, acima do teto da meta. Pelas regras do Conselho Monetário Nacional, a meta só é considerada descumprida se a inflação ficar fora do intervalo por seis meses seguidos.

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Fonte: Agência Brasil

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