terça-feira, 20 de outubro de 2026
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Estudo da USP alerta que benefícios sem reajuste real podem retrair o interior

Pesquisa do Made-USP projeta renda até 10,8% menor em cidades fora das regiões metropolitanas se previdência, BPC e Bolsa Família ficarem parados.

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Estudo da USP alerta que benefícios sem reajuste real podem retrair o interior
Mercado Ver-o-Peso, em Belém (PA), em imagem ilustrativa de arquivo (2018). Foto: Bruna Brandão/MTur (domínio público), via Wikimedia Commons

Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da FEA-USP, aponta que a estagnação de benefícios sociais pode reduzir a atividade econômica nos municípios do interior do país. A pesquisa foi divulgada em 16 de outubro e noticiada pela Agência Brasil.

Segundo o levantamento, aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) respondem por quase metade do orçamento das famílias mais pobres. Dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 4 mil ficam fora de regiões metropolitanas, e nesses locais as transferências pesam duas vezes mais do que nos grandes centros.

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No Ceará, por exemplo, os benefícios representam 22% da renda total na capital e na região metropolitana e 40% no interior. Para famílias com renda de até 1,5 salário mínimo por pessoa, os benefícios podem chegar a 50% do que elas recebem.

Os pesquisadores compararam o crescimento real dos benefícios entre 2022 e 2025 com o período de 2019 a 2022, quando não houve ganhos acima da inflação. Para os próximos três anos, a projeção é de que a renda agregada do interior seja de 6,8% a 10,8% menor sem reajustes reais do que com eles.

As maiores perdas estariam no Rio Grande do Norte, no Amapá e no Piauí, com quedas de 17% a 18%. Amazonas, Sergipe e Pernambuco ficariam perto de 15%, e estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina teriam retração de até 6,5%.

O estudo também estima que a falta de ganhos reais entre 2022 e 2025 levou cerca de 2,7 milhões de pessoas à pobreza fora das regiões metropolitanas, sendo 2,4 milhões à pobreza extrema. Em números absolutos, a Bahia lidera, com até 336 mil pessoas, seguida por São Paulo e Minas Gerais.

A economista Luiza Nassif, codiretora do Made-USP, afirma que as famílias gastam o dinheiro dos benefícios quase todo em itens básicos, e que ele circula no comércio local. "Isso geraria uma reação em cadeia na atividade econômica", disse. Ela defende manter a valorização real da previdência, do BPC e dos programas de transferência de renda.

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Fonte: Agência Brasil

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