terça-feira, 20 de outubro de 2026
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Estudo da USP alerta para perda de renda no interior sem reajuste de benefícios

Sem ganhos reais em aposentadorias, Bolsa Família e BPC, renda das cidades do interior ficaria até 10,8% menor em três anos, estima o Made, da FEA-USP.

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Estudo da USP alerta para perda de renda no interior sem reajuste de benefícios
Imagem ilustrativa de arquivo sobre o programa Bolsa Família. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

A renda agregada das cidades do interior do Brasil ficaria entre 6,8% e 10,8% abaixo do cenário com valorização real de benefícios nos próximos três anos, caso aposentadorias, Bolsa Família e BPC não tenham reajuste acima da inflação. A projeção é do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da FEA-USP, divulgada em 17 de outubro, segundo a Agência Brasil.

O estudo mostra que, dos 5.569 municípios do país, cerca de 4 mil ficam fora de regiões metropolitanas. Nesses locais, o peso das transferências públicas na economia é o dobro do observado nos grandes centros. No Ceará, por exemplo, os benefícios respondem por 22% da renda agregada da capital e região metropolitana, contra 40% nas cidades do interior.

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As perdas projetadas variam por região. No interior do Rio Grande do Norte, do Amapá e do Piauí, a queda chegaria a 17% ou 18%. Amazonas, Sergipe e Pernambuco ficariam perto de 15%, e Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia entre 10% e 13%. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a estimativa é de cerca de 6,5%.

Para famílias com renda de até 1,5 salário mínimo per capita, os benefícios podem chegar a 50% do rendimento. Segundo o centro, a ausência de ganhos reais entre 2022 e 2025 teria levado cerca de 2,7 milhões de pessoas à pobreza fora das regiões metropolitanas, sendo 2,4 milhões à extrema pobreza. Em números absolutos, os maiores aumentos seriam na Bahia (até 336 mil), em São Paulo (até 263 mil) e em Minas Gerais (até 251 mil).

A economista Luiza Nassif, professora da Unicamp e pesquisadora do Made, afirma que o efeito se espalha pela economia local. "Isso geraria uma reação em cadeia na atividade econômica que atinge inclusive as famílias que não dependem do socorro público", disse. Para o leitor, o dado indica que o comércio e os serviços de cidades pequenas tendem a sentir primeiro qualquer perda de poder de compra de aposentados e beneficiários.

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Fonte: Agência Brasil

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