Espanha antecipa eleições para 29 de novembro e sindicatos marcam greve geral
Crise da moradia derruba decretos no Parlamento; UGT e CCOO convocam paralisação de 24 horas em 11 de novembro, a primeira em 14 anos.
Por Redação INFO NEWS · Atualizado em

A Espanha antecipou as eleições legislativas para 29 de novembro, e os dois maiores sindicatos do país, UGT e CCOO, convocaram uma greve geral de 24 horas para 11 de novembro, em protesto contra a crise da moradia. As informações são da Agência Brasil, a partir de despacho da agência Lusa publicado em 7 de outubro, em Madri.
O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, anunciou a antecipação do pleito na segunda-feira (5). A decisão veio dois dias depois de o Parlamento rejeitar decretos do governo com medidas para a área da habitação, e em meio a protestos diários contra despejos que tomaram as ruas de várias cidades espanholas.
A greve de 11 de novembro será a primeira greve geral na Espanha em 14 anos. A última convocada em conjunto por UGT e CCOO ocorreu em 2012. A data foi combinada com a CCOO e cai pouco antes do início da campanha eleitoral para o novo Parlamento.
Segundo a Agência Brasil, a paralisação atende a um chamado da Confederação de Sindicatos de Inquilinas, entidade que reúne grupos de locatários. Esses grupos mobilizam milhares de pessoas em manifestações diárias desde 23 de setembro. O secretário-geral da UGT, Pepe Álvarez, afirmou que a greve busca salários dignos para que os trabalhadores possam pagar por uma moradia digna.
O movimento ganhou um rosto no fim de setembro. Segundo a CNN Brasil, uma idosa de 87 anos que vivia havia mais de 70 anos num apartamento no bairro de El Retiro, em Madri, foi despejada em 23 de setembro, apesar de dezenas de pessoas terem passado a noite diante do imóvel para tentar impedir a ação. Ela foi levada de maca a um hospital. O caso virou símbolo da crise habitacional, e houve atos de solidariedade em Barcelona, Sevilha e Valência. Dias depois, ela chegou a um acordo com o proprietário para voltar para casa, com aluguel semelhante ao que pagava antes, num novo contrato de oito anos.
A convocação provocou reação imediata de entidades patronais e de partidos de oposição. As organizações empresariais questionaram a legalidade da greve, com o argumento de que a moradia não é uma questão trabalhista, e criticaram o momento escolhido, logo após a convocação das eleições. O presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), Antonio Garamendi, disse que a greve tem um "claro componente político e eleitoral" e parece dirigida mais à oposição do que ao governo de Sánchez.
O Partido Popular (PP, direita) e o Vox (extrema direita) também criticaram a mobilização. É a primeira greve geral convocada desde que Sánchez assumiu o cargo, em 2018. O porta-voz do PP, Borja Sémper, classificou a decisão como "eminentemente política" e voltada a ajudar o primeiro-ministro. Segundo o PP, os sindicatos teriam despertado apenas após oito anos de governos liderados por Sánchez, e a moradia seria o "grande fracasso" da gestão, por causa da forte alta nos preços de imóveis e aluguéis.
Sánchez disse que a greve afeta muitos trabalhadores e suas famílias e que a única opção do governo é respeitar esse direito constitucional. Em Madri, o ministro Ángel Víctor Torres afirmou que a idosa despejada havia se tornado símbolo da luta de muitas famílias, idosos e jovens que tentam conseguir ou manter uma casa.
Os protestos pediam maior proteção aos inquilinos e a proibição de despejos quando não há alternativa de moradia próxima. Foi a rejeição, no Parlamento, das medidas para frear despejos e limitar a pressão sobre os aluguéis que, somada às manifestações, levou à convocação das urnas antecipadas, segundo a CNN Brasil.
A reportagem da CNN Brasil lembra ainda que o governo enfrenta críticas por causa da gestão de uma crise migratória em Ceuta e de casos de corrupção que envolvem o Partido Socialista e a família do primeiro-ministro, e apresenta a pauta da moradia como um caminho para deslocar a atenção desses temas. O texto não detalha as acusações.
O calendário agora está definido: a greve geral de 24 horas em 11 de novembro, o início da campanha eleitoral logo em seguida e a votação em 29 de novembro. Até lá, a expectativa é que as manifestações por moradia continuem nas cidades espanholas, enquanto governo, oposição, sindicatos e empresários disputam a interpretação do movimento.
Com informações de CNN Brasil.
Fonte: Agência Brasil
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