terça-feira, 20 de outubro de 2026
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CNI: 76% das indústrias apontam juros altos como barreira ao crédito

Sondagem com 1.701 empresas mostra que 24,7% não conseguiram o financiamento de curto e médio prazo que buscaram, ante 20% em 2025.

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CNI: 76% das indústrias apontam juros altos como barreira ao crédito
Cédula de 20 reais do Banco Central do Brasil (imagem ilustrativa, foto de arquivo). Foto: Oleg Yunakov (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

Os juros altos continuam sendo a principal barreira de acesso ao crédito para a indústria brasileira: 76% das empresas que tiveram dificuldade para obter financiamento de curto e médio prazo citaram as taxas como obstáculo, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O dado consta da Sondagem Especial 107, divulgada nesta sexta-feira (9) e noticiada pela Agência Brasil.

A pesquisa ouviu 1.701 indústrias, entre 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes, de 3 a 12 de agosto, sobre as condições de crédito de fevereiro a julho de 2026. Para operações de longo prazo, com vencimento acima de cinco anos, 69% apontaram os juros como entrave. Em 2025, os percentuais eram de 80% e 71%, o que indica que as taxas seguem no topo da lista, mas perderam peso.

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A parcela de empresas que buscaram crédito e não conseguiram subiu. No curto e médio prazo, a taxa de frustração chegou a 24,7%, ante 20% em 2025. No longo prazo, foi de 37,2%, contra 33%. Entre as pequenas e médias, 48,2% e 48,1%, respectivamente, não obtiveram o crédito de longo prazo que procuraram, enquanto nas grandes o índice foi de 29,9%.

Depois dos juros, a exigência de garantias reais aparece como segundo maior obstáculo: 33,4% no curto e médio prazo e 31,5% no longo prazo. A burocracia foi citada por 13,6% no curto e médio prazo, e o prazo de carência insuficiente por 18,9% no longo prazo. Segundo a CNI, a queda dos juros leva tempo para chegar ao custo do crédito, que segue elevado para as empresas, conforme a analista Maria Virgínia Colusso.

A pesquisa também mostra que o dinheiro tomado a longo prazo nem sempre vai para investimento. Entre as empresas que buscaram ou renovaram esse tipo de crédito, 28,7% apontaram o capital de giro como principal finalidade, acima de máquinas e equipamentos (23,6%) e de obras e instalações (11,6%). No curto e médio prazo, quase 60% citaram o capital de giro. Para a CNI, linhas de longo prazo costumam ser destinadas a investimento, enquanto folha de pagamento, materiais e insumos são financiados por operações mais curtas.

Como medidas para facilitar o crédito, as empresas apontaram a redução de custos tributários e administrativos (38,4% no curto e médio prazo e 31,2% no longo prazo), a ampliação de linhas públicas (22,8% e 26,3%) e a simplificação das exigências dos bancos (21,1% e 22,1%). Para o leitor, o crédito mais caro e escasso na indústria pode atrasar investimentos e contratações, com reflexo em emprego e preços. A Agência Brasil lembra que o Banco Central reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano em setembro de 2026.

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Fonte: Agência Brasil

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