terça-feira, 20 de outubro de 2026
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Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação às margens de rios

Levantamento do MapBiomas mostra que 26,9% da conversão do bioma entre 1985 e 2025 ocorreu junto aos cursos d'água; Alto Tocantins lidera a perda.

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Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação às margens de rios
Margem do Rio Tocantins entre Carolina e Filadélfia, imagem ilustrativa (foto de arquivo, 2009). Foto: Otávio Nogueira (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

O Cerrado brasileiro perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa nas margens de rios, numa faixa de até 500 metros, entre 1985 e 2025, segundo o recorte do bioma na Coleção 11 do MapBiomas, divulgado na quinta-feira (8) e noticiado pela Agência Brasil. A área corresponde a 26,9% de toda a cobertura nativa convertida em outros usos no período.

A conta considera 41 anos de mapas anuais de cobertura e uso da terra. Segundo Bárbara Costa, analista de pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e integrante da equipe Cerrado do MapBiomas, a redução pode afetar a qualidade e a disponibilidade da água e aumentar a vulnerabilidade a eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas.

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A pesquisadora explica o motivo. Em suas palavras, "a vegetação próxima aos rios ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e evitar que sedimentos cheguem aos cursos d'água". Sem essa proteção, a terra das margens é carregada para o leito, o que turva a água, assoreia os rios e torna o abastecimento mais difícil e mais caro.

O Cerrado abriga a nascente de seis grandes bacias hidrográficas do país, e a perda não se distribui de forma igual entre elas. O Alto Tocantins registrou a maior redução, de 2,9 milhões de hectares nas margens. Em seguida vem a bacia do Araguaia, com 2,7 milhões de hectares. Somadas, as duas respondem por 41% de toda a perda registrada em áreas ribeirinhas do bioma.

O levantamento também traz o retrato geral do Cerrado. Entre 1985 e 2025, o bioma teve perda líquida de 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa, queda de 34% em relação à área existente no início da série. Se for considerado todo o histórico de ocupação, inclusive o período anterior a 1985, o Cerrado já havia perdido 49,6% da cobertura original até 2025.

A vegetação savânica é a mais afetada, com redução de 41%, cerca de 34 milhões de hectares. A formação campestre perdeu 39%, o equivalente a cerca de 3,6 milhões de hectares, e a florestal recuou 25%, ou cerca de 12,8 milhões de hectares. Esses números mostram que a conversão atingiu todos os tipos de paisagem do bioma, não apenas as áreas mais abertas.

O principal destino da terra convertida é a agropecuária. A área ocupada por essas atividades passou de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares entre 1985 e 2025, o que corresponde a 48,9% do que antes era Cerrado. Em 2025, a agricultura ocupava 29,7 milhões de hectares e a pecuária, 53,9 milhões. Em 61% das regiões de Cerrado nos municípios, a agropecuária predomina hoje, contra 41% em 1985.

No recorte por municípios, 301 deixaram de ter predomínio de vegetação nativa no período. Em 227 deles, menos de 20% da área de Cerrado continua coberta por vegetação nativa. Entre os estados, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal, estão entre os que deixaram de ter mais da metade do território com cobertura original.

Ainda há estados que preservam mais da metade da vegetação. O Piauí tem a maior proporção, de 78,2%, seguido por Rondônia, com 76,5%, e pelo Maranhão, com 67,4%. Os quatro estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) mantêm mais de 50% de vegetação nativa em suas porções do bioma e, juntos, concentram 47,7% do que resta de Cerrado.

A propriedade da terra ajuda a explicar o padrão. De acordo com o levantamento, 77,7% da perda ocorreu em áreas privadas. Já nas áreas protegidas ou de uso coletivo, como terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação, a perda em 41 anos foi de 13,9%, índice bem menor que o do bioma como um todo.

Para o leitor, o dado tem efeito concreto: o Cerrado é a origem de rios que abastecem cidades, lavouras e usinas hidrelétricas em várias regiões do país. Margens sem vegetação aumentam o risco de erosão e de enchentes em períodos de chuva forte e de escassez de água na seca, justamente os extremos que o estudo associa à perda de proteção ribeirinha. Os dados completos do MapBiomas estão disponíveis na plataforma do projeto.

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Fonte: Agência Brasil

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