Brasil passa de 1 milhão de eletrificados leves vendidos, diz ABVE
Série da associação soma 1.003.310 veículos desde 2012; 53.126 foram emplacados em setembro, 19,8% do mercado de leves, segundo dados de 8 de outubro.
Por Redação INFO NEWS · Atualizado em

O mercado brasileiro de eletrificados leves ultrapassou a marca de 1 milhão de veículos vendidos em setembro de 2026, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), em levantamento divulgado em 8 de outubro. A série histórica da entidade, iniciada em janeiro de 2012, soma 1.003.310 unidades emplacadas no país.
Para a ABVE, entram na conta os carros 100% elétricos (BEV), os híbridos plug-in (PHEV) e os híbridos sem recarga externa (HEV e HEV Flex). Os micro-híbridos (MHEV) ficam de fora desde janeiro de 2025, porque não têm tração elétrica autônoma. A associação já havia previsto o marco para o início de setembro, pois ao fim de agosto faltavam menos de 50 mil unidades.
O ritmo de vendas mudou muito nos últimos anos. Segundo a ABVE, o primeiro meio milhão levou 13 anos e 7 meses, de janeiro de 2012 a julho de 2025. O segundo meio milhão levou 14 meses, de agosto de 2025 a setembro de 2026. Pela série, o acumulado chegou a 100 mil em julho de 2022, a 250 mil em março de 2024 e a 750 mil em maio de 2026.
Os números anuais mostram a mesma curva. Foram 117 unidades em 2012, 1.091 em 2016 e 19.745 em 2020. Em 2024, o total subiu para 177.358, e em 2025 chegou a 223.912. De janeiro a setembro de 2026, foram 381.609 veículos, o equivalente a 38% de toda a série histórica. A soma de 2024, 2025 e dos nove primeiros meses de 2026 chega a 782.879 unidades, ou 78% do total.
Em setembro, foram emplacados 53.126 eletrificados, queda de 7,4% em relação a agosto, que teve 57.386 unidades e foi o recorde mensal da série. Na comparação com setembro de 2025, quando foram 21.342, a alta é de 148,9%. O volume é o terceiro maior da história. Os eletrificados responderam por 19,8% do mercado de leves, contra 21,8% em agosto e 9,2% em setembro de 2025, um ganho de 10,6 pontos percentuais em 12 meses.
O mercado total de veículos leves somou 268.721 unidades em setembro, segundo dados da Fenabrave citados pela ABVE. Isso representa alta de 2,2% sobre agosto e de 16,2% em 12 meses. Com isso, os eletrificados cresceram cerca de nove vezes mais rápido que o mercado como um todo.
Por tecnologia, os modelos plug-in (BEV mais PHEV) somaram 42.448 unidades, ou 79,9% dos eletrificados. Os BEV chegaram a 22.246 unidades, 41,9% do total, com queda de 18,1% sobre agosto e alta de 172,3% em 12 meses. Os PHEV tiveram 20.202 unidades, 38% do total, praticamente estáveis, com recuo de 1,6% no mês. Já os híbridos sem recarga externa somaram 10.678 unidades. O HEV Flex marcou 5.786 emplacamentos e o HEV, 4.892, ambos recordes mensais para essas tecnologias.
Os micro-híbridos, que não entram na contagem de eletrificados, tiveram 8.869 emplacamentos em setembro, alta de 33% sobre agosto. Somados aos eletrificados, chegam a 61.995 unidades, ou 23,1% do mercado de leves.
A geografia das vendas segue concentrada. São Paulo lidera entre os estados, com 14.250 unidades (26,8%), seguido por Minas Gerais, com 4.346, Distrito Federal, com 4.158, Paraná, com 3.403, e Rio de Janeiro, com 3.166. Entre as cidades, a capital paulista teve 5.240 emplacamentos, e Brasília, 4.158. Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba completam a lista das cinco primeiras. Por região, o Sudeste respondeu por 43,5% do total e o Nordeste por 20,8%. O Norte, com 2.799 unidades, foi a única região que cresceu em relação a agosto, com alta de 3,6%.
O presidente da ABVE, Ricardo Bastos, afirmou que a eletromobilidade "não é mais uma expectativa para o futuro, mas a realidade do presente". Segundo ele, a fase atual traz desafios como consolidar a indústria brasileira de peças para elétricos, dar segurança regulatória e tributária à recarga e atrair investimentos. Ele citou como vantagens do país a matriz elétrica com cerca de 90% de fontes renováveis, as reservas de terras raras e minerais críticos, o mercado consumidor receptivo e o potencial de exportação para a América Latina.
A associação atribui o avanço à instalação de montadoras de eletrificados no país, entre elas BYD, GWM, Omoda, Pace/GM e Geely, à ampliação da oferta de modelos, ao fortalecimento do pós-venda e à expansão da recarga em edifícios, residências e rodovias. Segundo levantamento da Tupi Mobilidade publicado pela ABVE, o Brasil tem pelo menos 29.866 pontos de recarga públicos e semipúblicos.
Para o consumidor, o dado indica um mercado com mais oferta e mais opções de compra, mas ainda concentrado em poucas cidades e em modelos de maior valor. Os próximos números mensais da ABVE mostrarão se a participação de cerca de 20% do mercado de leves se mantém nos meses finais de 2026, depois do recorde de agosto.
Fonte: ABVE
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