BC vai divulgar indicador mensal de reajustes salariais em acordos coletivos
Dados do sistema Mediador, do Ministério do Trabalho, vão mostrar quantos acordos superam a inflação e ajudar a medir o aquecimento do mercado de trabalho.
Por Redação INFO NEWS · Atualizado em

O Banco Central (BC) vai passar a divulgar, todos os meses, indicadores sobre os reajustes salariais negociados por meio de acordos e convenções coletivas de trabalho. A iniciativa, informada pela Agência Brasil nesta terça-feira (6), em Brasília, busca aprimorar o acompanhamento das condições do mercado de trabalho e dos efeitos dessas condições sobre a inflação.
Os números têm origem no Sistema de Negociações Coletivas de Trabalho, o Mediador, operado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A base reúne acordos de todas as regiões do país e dos principais setores da economia, entre eles agropecuária, indústria, construção, comércio e serviços.
Em termos gerais, os acordos coletivos são firmados entre o sindicato dos trabalhadores e uma ou mais empresas, enquanto as convenções coletivas são pactuadas entre sindicatos de trabalhadores e de empregadores de uma categoria. Em ambos os casos, o texto costuma fixar o percentual de reajuste, a data em que ele vale e outras condições de trabalho, como pisos salariais e benefícios.
As estatísticas trarão dois tipos de informação. O primeiro são os reajustes nominais, ou seja, o aumento salarial em valores correntes, sem descontar a inflação. O segundo são os reajustes reais, que descontam a variação de preços e mostram o ganho efetivo de poder de compra.
Os indicadores também vão exibir a proporção de acordos que resultaram em aumentos acima, abaixo ou iguais à inflação do período. Na prática, isso permite saber se a maior parte das categorias que negociaram conseguiu apenas repor as perdas ou foi além disso.
Segundo a reportagem, estudos indicam que os ganhos reais de salário tendem a ser mais frequentes em períodos de mercado de trabalho aquecido, com taxas baixas de desemprego. Foi o que ocorreu entre 2012 e 2014 e voltou a acontecer a partir de 2023, quando aumentou a quantidade de acordos coletivos com reajuste acima da inflação.
Essa relação interessa ao BC porque os salários são um dos fatores que influenciam os preços, principalmente no setor de serviços, em que a mão de obra pesa mais nos custos. Quando os reajustes negociados sobem de forma sustentada, as empresas podem repassar parte desse custo ao consumidor. Por isso, o comportamento dos salários é acompanhado de perto por quem avalia a trajetória dos juros e da inflação.
A Agência Brasil informa que os reajustes negociados mantêm forte correlação com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE. Isso acontece apesar de não existir exigência legal de que o reajuste reponha integralmente a inflação. Ou seja, a reposição costuma ocorrer por meio da negociação entre empregadores e sindicatos, e não por obrigação prevista em lei.
O INPC mede a variação de preços para famílias de renda menor, o que ajuda a explicar por que ele é tão usado como referência nas mesas de negociação de categorias profissionais. Muitas categorias têm uma data-base, o mês do ano em que o reajuste costuma ser discutido, e é nessa ocasião que o índice acumulado nos meses anteriores entra na conversa.
Os indicadores ficarão disponíveis ao público no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central, ferramenta em que a instituição publica diversas séries econômicas, como as de juros, crédito e atividade.
A divulgação regular deve facilitar o trabalho de economistas, sindicatos, empresas e analistas do mercado, que poderão acompanhar mês a mês se os acordos coletivos estão ficando mais ou menos generosos em relação à inflação. Para o BC, a série funciona como mais um termômetro do mercado de trabalho, ao lado dos dados de emprego e desemprego produzidos por outros órgãos.
A reportagem não informou a data de início da divulgação mensal nem o período inicial da série. Também não detalhou quais setores ou regiões apresentam, hoje, os maiores ganhos reais.
Fonte: Agência Brasil
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