Android passa a exigir desenvolvedor verificado no Brasil; veja o que muda
Regra do Google vale desde 30 de setembro para apps de sete lojas, entre elas a Play Store; usuário comum não deve notar diferença.
Por Redação INFO NEWS · Atualizado em

Desde quarta-feira (30 de setembro), celulares e tablets Android no Brasil só instalam, a partir das principais lojas de aplicativos, programas cujo desenvolvedor teve a identidade confirmada pelo Google. A exigência, chamada de verificação de desenvolvedores, começou a valer ao mesmo tempo em quatro países: Brasil, Indonésia, Singapura e Tailândia.
A regra se aplica a aparelhos certificados com Android 7 ou superior e, nesta primeira fase, a sete lojas: Google Play, Galaxy Store (Samsung), GetApps (Xiaomi), HONOR App Market, OPPO App Market, V-Appstore (vivo) e Palm Store (Transsion). Segundo o Google, a checagem é entregue pelo Google Play Services, componente que já vem nos aparelhos certificados.
Para quem baixa aplicativos conhecidos pelas lojas oficiais, a experiência não deve mudar. O Google informa que mais de 99% dos apps da Play Store já estavam registrados e que, no caso de programas de desenvolvedores verificados, o usuário não verá diferença no download. A CNN Brasil também informou que usuários comuns não devem notar a mudança.
O que não entra na regra por enquanto são as lojas alternativas que não estão na lista e os aplicativos instalados diretamente por arquivo, os chamados APKs. De acordo com a página oficial de perguntas e respostas do programa, a exigência não é aplicada a lojas que não foram citadas nesta fase inicial. A empresa, porém, orienta os desenvolvedores a se prepararem: a previsão é estender a verificação a todos os aplicativos em aparelhos Android certificados, no mundo inteiro, em 2027.
O Google afirma que o objetivo é dificultar a ação de golpistas que publicam aplicativos maliciosos de forma anônima e voltam a fazê-lo depois de serem bloqueados. Segundo a CNN Brasil, a empresa diz detectar 90 vezes mais ameaças em fontes alternativas de download do que na Play Store.
A verificação confirma quem é o desenvolvedor, mas não avalia o que o aplicativo faz. A página oficial diz que o programa não coleta informações sobre o conteúdo nem sobre o funcionamento dos apps. Ou seja, o registro identifica o responsável, mas não funciona como um selo de qualidade ou de segurança do programa.
Para os desenvolvedores, há dois caminhos. Quem publica na Play Store faz o registro pelo Play Console, e a maior parte dos aplicativos é incluída automaticamente. Quem distribui apenas fora da loja usa o novo Android Developer Console. A conta de distribuição completa custa US$ 25, valor que, segundo o Google, cobre custos administrativos, e exige a comprovação da identidade. Empresas precisam informar o número D-U-N-S, um cadastro internacional de nove dígitos.
Estudantes, professores e quem programa por hobby têm uma alternativa: a conta de distribuição limitada, gratuita e sem exigência de documento oficial, que permite compartilhar aplicativos com até 20 aparelhos.
Usuários experientes continuam podendo instalar aplicativos de desenvolvedores não verificados, mas por um caminho mais longo, que o Google chama de fluxo avançado e que foi lançado em agosto. O processo tem cinco etapas: ativar o modo desenvolvedor nas configurações; confirmar que ninguém está orientando a pessoa a desligar a proteção; reiniciar o aparelho e fazer a autenticação de novo; esperar 24 horas e confirmar a decisão com biometria ou senha; e, por fim, escolher se a liberação vale por sete dias ou por tempo indeterminado. Mesmo depois disso, o sistema continua exibindo um aviso de que o aplicativo vem de um desenvolvedor não verificado.
A espera de um dia, segundo a empresa, serve para frustrar golpes em que a vítima é pressionada, durante uma ligação, a desativar as proteções do celular. A pausa quebra a sensação de urgência e dá tempo para a pessoa conferir o pedido por conta própria.
Há exceções. Instalações feitas por programadores com o ADB, ferramenta de testes que liga o celular ao computador, não mudam e não têm período de espera. Aplicativos distribuídos por empresas em aparelhos gerenciados pela própria organização também ficam dispensados da verificação.
O cronograma divulgado pelo Google tem quatro marcos. O registro foi aberto em março; as contas limitadas e o fluxo avançado chegaram em agosto; e a exigência passou a valer em 30 de setembro nos quatro primeiros países. A expansão global está prevista para 2027, depois de a empresa avaliar o retorno de parceiros, usuários e desenvolvedores.
Em seus comunicados, o Google sustenta que o Android segue sendo um sistema aberto, com possibilidade de distribuição por diferentes canais e de instalação a partir de mais de uma fonte.
Com informações da CNN Brasil.
Fonte: Google (Android Developers)
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